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Vamos Olhar para Outra Cadeia? LARANJA

Interior de São Paulo produz quase 80% da laranja brasileira. Maior parte foi destinada à produção de suco de laranja que é exportado para o mundo todo.




A laranja é a fruta mais produzida no Brasil. Está presente em todos os estados da federação e também no Distrito Federal, mas sua principal produção está em um cinturão que vai do Paraná a Sergipe, passando por São Paulo, Minas Gerais e Bahia. O estado de São Paulo é de longe o maior produtor da fruta, responsável por 78,7% de toda produção nacional de 2017, de acordo com o Censo Agropecuário do IBGE. A produção paulista foi de 10,77 milhões de toneladas, 12 vezes maior do que a de Minas Gerais, o segundo estado em produção, com 894 mil toneladas. A laranja está presente em 320 municípios paulistas que somam 188 milhões de árvores plantadas em 388 mil hectares, segundo dados do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). A laranja produzida para a indústria de suco é o terceiro produto agropecuário do estado – atrás da cana-de-açúcar e da carne bovina – e responsável por 6,43% do valor produzido pela agropecuária em 2017, segundo dados do Valor da Produção Agropecuária (VPA), estimado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA). Há ainda a fruta de mesa que ocupa a 10ª colocação, com 1,93% do valor de produção agropecuária. Somadas as duas categorias, a laranja foi responsável por R$ 6,4 bilhões em produção em 2017.

Produção concentrada Mas nem por isso, São Paulo tem o maior número de propriedades produtoras. Neste quesito, é apenas o quarto do país com 4.929 propriedades, atrás da Bahia, de Sergipe e do Rio Grande do Sul. Isso porque a citricultura paulista está concentrada em grandes propriedades. Segundo o Fundecitrus, 66% da produção do cinturão citrícola estão em 6,28% dos pomares. Nem sempre assim, a citricultura paulista começou com pomares pequenos e familiares. A profissionalização do trabalho no campo, o surgimento de doenças e pragas e o crescimento dos pomares plantados pela indústrias de suco fizeram com que os pequenos produtores fossem perdendo competitividade e abandonando a cultura. “Saiu de 28 mil produtores para 5 a 6 mil. Notória hoje a diferença”, afirma o economista e historiador Luiz Fernando Paulillo. Somente entre 2015 e 2018, 1.713 propriedades deixaram de cultivar laranja, de acordo com o Fundecitrus. Destas, 66% tinham até 10 hectares, 27% tinham de 10,1 a 50 hectares e somente 7% de 50,1 a 500 hectares. "Nos últimos três anos eu venho pensando em mudar. Vai fazer 17 anos que eu comecei a trabalhar no ramo, e eu vou falar: tá bem difícil e os pequenos produtores com o tempo vão sair. Vão ficar só os médios e grandes", afirma o citricultor Frederico Angelelli, de 34 anos. Ele não pensa em desistir totalmente da laranja, mas diminuir o cultivo da fruta e diversificar os plantios. Angelelli herdou do pai e do avô o gosto pela citricultura. A família foi uma das pioneiras no plantio de laranja em Brotas (SP), na década de 80. Hoje, ele tem 8 mil plantas de citros em uma parte da terra que o seu avô arrendou naquela época e diz que a citricultura atual é muito diferente


Brasil produziu 13,7 milhões de toneladas de laranja em 2017. São Paulo foi responsável por 78,7% dessa produção.

Campeã mundial A citricultura paulista é a principal responsável pela primeira posição brasileira no mercado mundial de suco de laranja. Em São Paulo são produzidos três de cada cinco copos da bebida consumidos no mundo. “O complexo agroindustrial citrícola é único é inigualável, um campeão mundial que dificilmente será alcançado por algum país no mundo”, afirma o historiador. Segundo Paulillo, São Paulo conseguiu uma condição de produção diferenciada. “O cinturão citrícola paulista produz laranja o ano inteiro. Não existe outro lugar no mundo que faça isso e com uma quantidade de variedades inigualável, você tem das laranjas mais ácidas até as mais docinhas.” A maioria da produção desse cinturão vai para as indústrias de suco que produzem todos os anos entre 1 milhão e 1,3 milhão de toneladas de suco, das quais 98% são exportados. Segundo o historiador, foi justamente a produção de suco, iniciada nos anos 60, que alavancou o plantio de citros no estado, tornando a citricultura paulista uma das maiores do mundo. “Nesta época as geadas na Flórida começaram a revelar que a citricultura americana não conseguia suportar nem o consumo interno. Começaram, então, os primeiros estímulos para que aqui produtores começarem a produzir suco”, conta o historiador. “A citricultura campeã naturalmente se torna o complexo agroindustrial campeão competitivamente. Por trás da força da natureza vem muito dinheiro público financiando um complexo industrial fantástico e com muita pesquisa agronômica”, completa. São Paulo reúne os dez municípios maiores produtores de citros no país, de acordo com o IBGE. Segundo o censo agrícola, apenas Colômbia, o município campeão de produção de laranja em 2017, colheu 374,5 mil toneladas de laranja. Mas a citricultura tem se desenvolvido em outros estados, em muitos casos alavancada por produtores paulistas. Na Bahia, que tem despontado na produção de laranja, o campeão de produção é Rio Real, com 124,3 toneladas em 2017. Já no Paraná, outro importante produtor, maior município citrícola é Paranavaí com 140,75 mil toneladas. Em Minas Gerais, que desenvolveu uma citricultura importante devido à proximidade com as indústrias de suco de São Paulo, o município de Prata, no Triângulo Mineiro, colheu 187 mil toneladas de laranja e é o maior produtor do estado.



Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2019/01/21/interior-de-sao-paulo-produz-quase-80-da-laranja-brasileira.ghtml

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